Não procures certezas absolutas

Procura a coragem das decisões difíceis

8/23/20264 min read

Quantas vezes ficamos à espera de ter a certeza?

A certeza de que estamos a escolher bem. A certeza de que não nos vamos arrepender. A certeza de que o caminho vai correr como imaginámos. A certeza de que, depois de dar o primeiro passo, tudo fará sentido.

Queremos garantias antes de avançar.
Mas há decisões na vida para as quais nunca teremos certezas absolutas.

Talvez uma das grandes aprendizagens da nossa jornada seja precisamente esta: aprender a caminhar sem exigir à vida que nos mostre antecipadamente todo o caminho.

Há momentos, se não sempre, em que temos simplesmente de decidir com a informação que temos, com a consciência que alcançámos até esse momento e com aquilo que verdadeiramente sabemos sobre nós.

Porque esperar pela certeza absoluta pode transformar-se numa forma subtil de permanecer parado.

Às vezes chamamos prudência ao que, na verdade, é medo.

Medo de errar. Medo de perder. Medo de desiludir.
Medo de escolher diferente daquilo que os outros esperam de nós.
Medo de deixar para trás aquilo que conhecemos, mesmo quando já sabemos que esse lugar deixou de nos fazer bem.

É aqui que se torna tão importante olhar para dentro.

Nem tudo aquilo que sentimos é intuição. Há emoções que nascem das nossas feridas. Há escolhas condicionadas por crenças antigas, por experiências que ainda carregamos, por padrões que aprendemos a repetir. Há máscaras que criámos para nos proteger e que, com o tempo, podem fazer-nos confundir segurança com felicidade.

Antes de perguntar "E se eu estiver a escolher mal?", talvez seja mais importante perguntar "De onde estou a fazer esta escolha?"

Estou a escolher a partir do medo ou da consciência?

Estou a tentar proteger-me ou estou verdadeiramente a escutar-me?

Estou a repetir uma história antiga ou estou disponível para escrever uma nova?

Estou a procurar uma garantia exterior ou consigo confiar naquilo que, dentro de mim, já sei?

A consciência não nos promete que nunca vamos errar.

Aliás, talvez amadurecer seja precisamente compreender que uma decisão consciente não é necessariamente uma decisão que nos conduz ao resultado que esperávamos. É tão simplesmente uma decisão tomada com presença, com responsabilidade, com verdade. E, sobretudo, com disponibilidade para aprender com aquilo que vier depois.

A nossa Alma não precisa que tenhamos todas as respostas antes de começarmos a caminhar.
Talvez precise apenas que estejamos disponíveis para escutar.

Há uma sabedoria que não nasce do pensamento racional, nem da necessidade de controlar todos os acontecimentos. Uma sabedoria mais silenciosa, que se revela quando conseguimos criar espaço dentro de nós para ouvir.

É aí que podemos começar a distinguir a voz do medo da voz da intuição.

O medo pergunta "E se correr mal?"

A consciência pergunta "O que é verdadeiro para mim neste momento?"

O medo procura garantias.
A consciência procura alinhamento.
O medo quer controlar o resultado.
A confiança aprende a entregar-se ao processo.

Talvez seja isto que significa confiar no processo. Não acreditar que tudo acontecerá exatamente como desejamos. Significa confiar que, mesmo quando a vida nos surpreende, teremos dentro de nós recursos para atravessar aquilo que vier.

Que podemos corrigir uma decisão, podemos mudar de caminho, podemos recomeçar, podemos descobrir, através de uma escolha que julgávamos errada, algo que precisávamos profundamente de aprender.

A coragem não é ter a certeza. É conseguir decidir apesar da incerteza.
É olhar para o desconhecido e, mesmo sem saber exatamente onde ele nos levará, escolher não permanecer num lugar que já deixou de corresponder àquilo que somos.

Há momentos em que a vida nos pede movimento.

Não porque tenhamos todas as respostas, mas porque já sabemos que ficar onde estamos deixou de ser uma resposta. E talvez seja aí que começa uma verdadeira transformação.

Quando deixamos de perguntar "Como posso ter a certeza de que vai correr bem?" e começamos a perguntar "Como posso permanecer inteira, consciente e fiel a mim, qualquer que seja o caminho?"

Esta é uma mudança profunda. Porque a nossa segurança deixa de depender da certeza sobre o futuro e começa a nascer da confiança em nós próprios.

Não precisas de saber como termina a história para dar o próximo passo. Precisas apenas de saber se esse passo está em coerência com quem és e com quem estás a escolher tornar-te.

A vida não nos entrega mapas completos.
Entrega-nos sinais, experiências, encontros, desafios, desconfortos e momentos de clareza. E, muitas vezes, é caminhando que o caminho se revela. Por isso, quando estiveres perante uma decisão difícil, não procures a certeza absoluta.

Pára. Respira. Escuta.

Olha para o medo, sem deixares que ele decida por ti.

Reconhece as feridas que podem estar a falar.

Questiona as crenças que condicionam a tua escolha.

E depois pergunta ao teu coração, à tua consciência e à tua Alma "O que, neste momento, é verdadeiro para mim?"

Talvez não obtenhas uma resposta imediata.
Mas talvez descubras algo ainda mais importante: a capacidade de confiar em ti.

E, quando isso acontece, já não precisas de ter certezas para avançar. Porque percebes que a verdadeira segurança não está em saber o que vai acontecer. Está em saber que, aconteça o que acontecer, continuarás a poder escolher, aprender, transformar e seguir o teu caminho.

É assim que a Jornada da Alma se faz.
Um passo de cada vez. Nem sempre com certezas.
Mas cada vez mais com consciência, presença e confiança.

Confia no processo.
Confia na tua capacidade de escolher.
E, sobretudo, confia naquilo que dentro de ti já sabe o caminho.

E se a próxima decisão importante da tua vida não precisasse de mais certezas, mas apenas de uma ligação mais profunda contigo?

Em breve abrirei as inscrições para a segunda edição da Jornada da tua Alma. Se sentes que chegou o momento de olhar para dentro e descobrir o que ainda te impede de avançar, ou a hora de tomares decisões e fazeres escolhas mais conscientes e conectadas com a tua Verdade Interior, entra na lista de espera.

AMA

Ana Maria Almeida

Terapeuta ao Serviço da Energia Universal

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