A arte de estar contigo própria

Um convite a descobrir que a relação mais importante da tua vida ainda está por construir

6/14/20264 min read

Ao longo dos anos, tenho tido o privilégio de conhecer mulheres extraordinárias. Mulheres inteligentes, sensíveis, criativas, independentes e profundamente capazes. Mulheres que construíram carreiras, criaram famílias, ultrapassaram desafios e demonstraram uma força admirável perante a vida.

No entanto, por detrás de toda essa competência, muitas partilham uma dificuldade que raramente é falada. Sentem desconforto em ir sozinhas a um restaurante, fazer uma viagem, participar numa atividade ou simplesmente desfrutar de um programa sem a companhia de um parceiro, de uma amiga ou de alguém que valide a sua presença naquele espaço.

É curioso observar este fenómeno.

Muitas destas mulheres são perfeitamente capazes de liderar equipas, tomar decisões importantes ou enfrentar desafios complexos. Contudo, quando se trata de sentar-se sozinha num café ou viajar sem companhia, surge um incómodo difícil de explicar.

Durante muito tempo perguntei-me porquê. E acredito que parte da resposta pode estar na história que herdámos.

Durante séculos, as mulheres foram educadas para viver em função dos outros. Foram ensinadas a cuidar, a servir, a adaptar-se e, muitas vezes, a ocupar um lugar discreto. A sua segurança, identidade e reconhecimento estavam frequentemente associados à presença de um pai, de um marido ou de uma família.

Poucas gerações nos separam dessas mulheres. E embora a sociedade tenha mudado profundamente, muitas dessas mudanças foram relativamente recentes, e algumas dessas mensagens continuam presentes, muitas vezes de forma subtil e invisível.

Ainda hoje existe quem olhe com naturalidade para um homem que almoça sozinho ou viaja sozinho, enquanto uma mulher na mesma situação pode sentir-se observada, questionada ou até julgada. Com o tempo, estas ideias vão sendo absorvidas. Instalam-se silenciosamente. E acabam por influenciar a forma como nos vemos e como ocupamos o nosso lugar no mundo.

Por isso, quando uma mulher sente desconforto por estar sozinha…

… talvez não seja falta de confiança.
… talvez não seja insegurança.
… talvez não seja incapacidade.
… talvez seja apenas o eco de mensagens muito antigas que lhe ensinaram, direta ou indiretamente, que estar acompanhada é mais seguro, mais aceitável ou mais correto.

Mas há uma boa notícia. Tudo aquilo que foi aprendido pode ser transformado.

A liberdade raramente acontece de uma vez só. Normalmente começa com pequenos gestos.

Entrar sozinha num café.
Ir ao cinema.
Inscrever-se naquela atividade que sempre quis experimentar.
Fazer uma viagem.
Passear sem destino.
Sentar-se num jardim e apreciar a própria companhia.

São gestos simples. Mas que, para muitas mulheres, representam verdadeiros atos de libertação.

Porque cada vez que escolhem estar presentes sem precisar da validação de alguém, estão a fortalecer a relação mais importante das suas vidas: a relação consigo próprias.

E essa transformação acontece de forma quase imperceptível.

Num dia, o desconforto ainda está presente. Noutro, surge uma pequena sensação de tranquilidade. Até que chega o momento em que já não existe a necessidade de provar nada a ninguém.

Existe apenas a liberdade de ser.

- Talvez o verdadeiro crescimento pessoal não consista em aprender a estar sozinha.
- Talvez consista em descobrir que nunca estivemos realmente sós.

Quando aprendemos a apreciar a nossa própria companhia, encontramos dentro de nós uma presença constante, serena e amorosa.

Uma presença que não depende de circunstâncias externas. Uma presença que permanece.

Por isso, se sentes algum desconforto ao fazer algo sozinha, não te critiques. Não te compares. Não tentes forçar processos.

Apenas reconhece que estás a caminhar numa direção diferente daquela que muitas mulheres antes de ti puderam percorrer.

E faz ao teu ritmo. Com gentileza. Com respeito por ti mesma.

Porque tens o direito de ocupar espaço.
Tens o direito de escolher a tua vida.
Tens o direito de sentar-te à mesa que desejar.
Tens o direito de viajar para onde o coração te levar.
Tens o direito de existir plenamente, sem pedir autorização a ninguém.
E talvez a verdadeira liberdade comece exatamente aí.

Se, ao leres estas palavras, sentiste que esta mensagem foi escrita para ti, quero que saibas uma coisa: não estás sozinha.

Conheço bem os desafios, os medos e as dúvidas que surgem quando começamos a escolher-nos a nós próprias. Sei como pode ser difícil dar os primeiros passos em direção a uma vida mais livre, mais autêntica e mais alinhada com aquilo que realmente somos.

Mas também sei que essa transformação é possível.

Foi por isso que criei uma Mentoria especialmente dedicada a mulheres que desejam fortalecer a sua autoestima, desenvolver a sua autonomia emocional e aprender a viver com mais confiança, liberdade e autenticidade.

Um espaço seguro, de escuta, crescimento e transformação, onde cada mulher pode descobrir a sua própria forma de ocupar o seu lugar no mundo.

Por isso, deixo-te um desafio: escolhe uma pequena ação que normalmente evitarias fazer sozinha e permite-te experimentá-la nos próximos dias.

Observa o que sentes.
Observa o que aprendes sobre ti.

E, se sentires que gostarias de ser acompanhada nesta caminhada, conta comigo.

Terei todo o gosto em caminhar ao teu lado, enquanto constróis uma relação mais livre, mais amorosa e mais verdadeira contigo própria.

Porque a mulher que procuras tornar-te já existe dentro de ti.

Talvez esteja apenas à espera que lhe dês permissão para emergir.

AMA

Ana Maria Almeida

Terapeuta ao Serviço da Energia Universal

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